Impressões e opiniões sobre diferentes assuntos. Talvez um espaço pra desabafo, discussões ou um pouco de humor. O nome? É pq escrevo nas madrugadas que me sobram tempo e inspiração, normalmente entre um artigo e outro.
sábado, 13 de setembro de 2014
Sabe aquela história de amor a primeira vista? Pois é....não tem nada a ver conosco. Nos conhecemos no dia 02 de setembro de 2008, ao pé do "Morro do Careca", na linda praia de Ponta Negra, em Natal-RN. Estávamos lá participando do Intercom e ir até o Luau, naquela noite, foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado. Nos encontramos por conta de uma camiseta do Internacional. Havia um grupo de pessoas na praia e uma camiseta do colorado chamou a atenção da noiva que, imediatamente, foi conversar e querer saber de que parte do RS vinha aquele pessoal. Mas aquele pessoal não era do RS... O moço da camisa colorada era o Vilson, irmão de uma das melhores amigas da noiva mas um desconhecido até aquele momento. Junto com Vilson um grupo de sergipanos e entre eles o noivo. Foram umas duas horas de conversa fiada, sem pretensão alguma, regada de uma caipira doce e ruim que era vendida a R$0,50 no final da festa já, para terminar com os estoques. "Foi um prazer te conhecer" diz o noivo antes de voltar pro hotel. E foi só isso. Para nós, nunca mais nos veríamos. Rafael voltou para Aracaju e Roscéli para o Rio Grande do Sul. Na epoca os dois namoravam outras pessoas ou estavam envolvidos em algum rolo. Certamente não nos veríamos mais. Mas existe um negócio chamado CD dos Anais do Congresso da Intercom. Ele entrega tudo...nome completo, título dos trabalhos apresentados e instituição de origem. Ai, com um pouquinho de coragem ficava mais fácil localizar as pessoas. E foi o que Rafael fez. Procurou pelo nome da Dani e da Aline, que apresentaram trabalhos na mesma sala que ele estava. Adicionou no orkut e logo encontrou a guria do nome esquisito que o chamou de maluco na noite que o conheceu. E foi assim que os noivos começaram de se conhecer e viraram amigos. De repente, começaram a se falar todos os dias. Rafael, que nunca estava on-line em redes sociais ou no MSN começou a aparecer por ali todas as noites. Eram horas de papo. Roscéli lamentava o final de um relacionamento e Rafael, indignado, em uma bela noite soltou: "Deixa de ser besta menina! Tem muitos garotos que dariam tudo para ficar perto de você!" Isso foi no dia 07 de maio de 2009. Jamais iremos esquecer. Roscéli não esquece porque se assustou e Rafael, porque achou que falou aquilo cedo demais. Na semana seguinte, trocaram telefones. Roscéli estava na praça de Frederico Westphalen quando Rafael ligou pela primeira vez. Que tristeza! Os sotaques impediam qualquer tipo de entendimento ao telefone. Foi engraçado demais. As ligações, as horas de conversa e os torpedos passaram a ficar cada vez mais frequentes. Rafa e Céli não admitiam o que estava acontecendo. Os dois estavam se apaixonando...assim de longe. A certeza veio no dia 28 de junho. Roscéli entrava para uma aula de Telejornalismo e recebe a seguinte SMS: "Não vejo a hora de provar mais do que um abraço, mais do que um jantar. Não vejo a hora de te ver!" O coração disparou. A amiga Daniela, que estava sempre acompanhando tudo, só olha e diz: "Eu avisei que ele estava de olho em ti". As bochechas da Roscéli coraram, o coração disparou e ela não fez nada, simplesmente porque não sabia o que fazer. Não tinha mais como esconder. Mas o que fazer? Pra onde fugir? Como se apaixonar por alguem que mora do outro lado do país? Era loucura, mas uma loucura inevitável. A tentativa de fuga foi até Rafael comprar as passagens e avisar: eu vou para o Intercom 2009 e, no primeiro dia, quero jantar com você! E foi o que aconteceu...02 de setembro de 2009, exatos 365 dias depois de se conhecerem Rafael telefona dizendo que estava em Curitiba. Combinaram um horário e ele passaria no hotel de Roscéli para irem jantar. Como sempre, Rafael atrasou. Mas foi. Pensem em duas pessoas que tremiam quando se viram! Um abraço tímido e um "vamos dar uma volta" marcaram aquele momento. Foram duas horas andando pelas ruas de Curitiba, conversando, tremendo, de mãos dadas. Antes de chegar em qualquer restaurante caiu uma chuva. Forte. O jantar romântico virou uma corrida para escapar dos pingos e uma "coxinha com suco de abacaxi" encontrada no primeiro boteco que os dois acharam aberto ao fugir da chuva. Já estava ficando tarde. Rafael foi levar Roscéli de volta ao hotel. Os dois pararam na portaria. Rafael dizia que precisava ir embora, mas não ia. Mais uns 20 minutos de conversa e ele tomou coragem...foi o beijo mais tremido da vida dos dois. E foi assim que tudo começou. Depois disso, dois anos de namoro à distância. Saudade, ciúme, carência mas muita vontade de ficar junto. Em 2011 Rafael resolveu descer para o RS. O casal passou a morar com os pais de Roscéli. Pouco tempo depois um pedido tímido de casamento: um arquivo deixado aberto no computador de Roscéli dizia o seguinte: "Não existia maneira mais nerd de te pedir isso mas, você quer ser a minha esposa?" Cerca de 5 dias depois foi que Roscéli viu o pedido. "Claro que eu quero", respondeu. Na epoca as coisas estavam meio conturbadas e não havia tempo e cabeça para se organizar um casamento. Era preciso um pouco de paciência. Em 2014, Roscéli foi morar para Alto Araguaia- MT. Rafael ficou mais dois meses no RS e subiu também. Marcaram a data e agora estão tentando organizar tudo da melhor forma possível. O grande dia será 14 de fevereiro de 2015. Hoje, faltam exatos 5 meses e o casal não poderia estar mais feliz. A ansiedade já toma conta. O tempo não passa. A vontade de dizer o "sim" já não cabe mais no peito. Mas o mais importante é que Rafael e Roscéli tem hoje a certeza de que tudo valeu e continua valendo a pena. Que o bom não é ser perfeito um para o outro. O bom mesmo é ser feliz, para os dois.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Saudosismo
E assim, do nada, bate uma vontade de pegar a estrada. Ouvir uma boa música, cantar tão alto quanto a garganta aguentar e pisar tão fundo quando as condições do caminho permitirem. Ou talvez, vontade de voltar aos domingos da casa dos avós, onde não sobrava sequer um dedo mindinho que não fosse coberto pelo barro dos improvisados bolinhos de chocolate. Quem sabe se precise apenas sentar em um lugar tranquilo, ouvir o barulho dos pássaros, ou ver as luzes da cidade enquanto os pés recostam levemente sobre uma grama macia. Um banho de cachoeira, um banho no “Pessegueiro” ou no Comandaí...Um colo de mãe, um sorriso meio “tímido” de pai, os conselhos de um irmão e a gargalhada gostosa de uma irmã. Talvez seja necessário só tirar um dia para jogar “pé na bola”, vôlei na quadra do Alvorada, ou bingo na “baixada”. Dançar até o sol raiar, tomar banho de chuva na praça mesmo depois dos 20 anos, gargalhar até cair lágrima, fazer serenata, tomar chimarrão em uma boa roda de amigos de preferência com a companhia de um violão. Comprar uma vodka de 4 reais, misturar com suco e achar gostoso, viajar para lugares desconhecidos, acampar, rir de si mesmo, jogar truco até altas horas. Chegar em “casa” de surpresa, discutir com a família por coisa besta, passear na barragem de Bom Retiro, ver o avô usando avental de “melhor churrasqueiro do mundo” e a avó preocupada com a consistência do sagu de vinho. Talvez só seja necessário poder ver o sobrinho crescer, os pais envelhecerem, os irmãos felizes e com novos desafios a cada dia e até mesmo ver a cachorra comendo flores e bagunçando a sacada. Ou talvez só seja preciso esperar o tempo passar e ir entendendo, aos poucos, que a saudade sempre vai fazer parte da vida. De uma forma ou de outra.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
De Lajeado à Santa Maria
27 de setembro de 2012. Um dia difícil pra mim. Há aproximadamente uma semana eu temia por esse dia. Viajar sozinha tem sido algo bastante complicado no último ano. Uma angústia quase indescritível toma conta do meu ser toda vez que preciso subir em um ônibus sem ter alguém conhecido comigo. E hoje não foi diferente.
Acordei ansiosa e fui direto para a cama do meu pai e da minha mãe. Parece vergonhoso para uma guria de 25 anos, mas acho que ali é um dos lugares onde me sinto mais segura. Mãe já estava em pé, trabalhando na revisão do capítulo 1 da minha dissertação. Pai dormia tranquilo, com uma capinha de gordura que jamais vi em seu corpo. Como sinto orgulho dele agora! Fiquei ali, deitada com pai e pensando nos dois dias que tinha pela frente, mas não tive como evitar.
Arrumei minhas coisas, tomei um banho, almocei, tomei alguns chimas e fui pra rodoviária. O destino era, mais uma vez, Santa Maria. Talvez seja ela uma das cidades que mais gosto no RS. Mas, nem isso me animava. Ao subir no ônibus a sensação foi a mesma de todas as vezes que viajei no ultimo ano: medo. Parece bobagem, mas não tenho vergonha alguma de falar que sinto medo. Aliás, medos. São muitos.
As pontadas logo começaram a aparecer e, ao que tudo indica, vinha crise por ai. Logo sentou-se ao meu lado uma moça jovem, com aparência tranquila, cabelos curtos e que aparenta ser de uma doçura enorme. Ela começa de puxar papo, muito papo. Parece ser papuda como eu, pena que eu não estava em um bom momento para conversar. As pontadas me deixavam esperando por uma crise. Mas, antes mesmo de sair de Lajeado a moça insistiu na conversa. Começou a me falar de sua vida. Ela é técnica de enfermagem, mora em Santa Clara, morou muitos anos em Lajeado, fez estágio no Bruno Born, na ala do SUS, tem amigos em Santa Maria e em diversos lugares do estado. Entre um papo e outro ela me conta que é irmã. Confesso que estranhei. Acho que é a primeira freira jovem que conheci.
O meu nó na garganta e as minhas pontadas continuavam. Ao mesmo tempo achei que poderia ser bom para mim, viajar conversando. E foi o que resolvi fazer, conversei com aquela jovem, que nem o nome sei, durante duas horas e meia da viagem. Mais precisamente, até chegar a Novos Cabrais. Quebrei alguns preconceitos e aprendi muito. Pela primeira vez na minha vida, conversei com uma desconhecida assim como conversaria com uma amiga de infância. Abri meu coração. Falei das minhas angústias, do meu medo da morte, dos meus sonhos, dos meus planos e até mesmo do meu passado. No olhar dela, senti que ela não me julgava e sim, me compreendia. Me deu conselhos, partilhou experiências e me fez entender que nenhuma situação em nossa vida é para sempre. Pela primeira vez na minha vida, deixei escorrer uma lágrima na minha face em frente a uma pessoa estranha, sem sentir a menor vergonha disso. Foi uma conversa longa, como se eu a conhecesse desde sempre. Quando ela chegou ao seu destino, pensei em pedir o MSN dela, já que ela mencionou várias vezes que usava muito para conversar com os amigos de longe. Mas, talvez seja ela mais uma daquelas pessoas que passam na nossa vida para nos ensinar algo que precisávamos aprender. Ou apenas pra nos mostrar que devemos manter as esperanças, e resolvi apenas agradecer e desejar tudo de bom para a pessoa que tornou o meu dia melhor.
Ela desceu do ônibus e eu ainda tinha alguns Km pela frente. Fiquei sentada, pensando em tudo o que eu tinha ouvido e relacionando isso com a minha vida, o meu momento. Já não sentia mais as pontadas, nem o nó na garganta. Calmamente agradeci a Deus por todas as oportunidades que a vida me dá, por todas as pessoas que fazem parte ou que passam pela minha vida, pela família e pelo “noivorado” que tenho e pelos meus amigos que amo. Depois, sorri, abri o bombom que Rafael me deu, encostei a cabeça no banco do ônibus, ouvi “Vento Ventania” nos fones de ouvido, olhei pra fora, vi que estava em Restinga Seca e sorri mais uma vez, porque sei que em poucos minutos vou encontrar mais dois abraços amigos me esperando em Santa Maria!
sábado, 1 de setembro de 2012
Pombas não choram
Se eu conseguisse conversar com uma pomba ela provavelmente me diria que eu estou ficando maluca. Sempre dizem que a grama do vizinho é mais verde do que a nossa e a pomba provavelmente me diria a mesma coisa quando eu contasse a ela que queria ter nascido em seu lugar. Pombas não precisam estar sempre sorrindo, não precisam provar sua competência para ninguém e não se sentem culpadas quando uma batida de asas não sai exatamente como elas imaginavam. Pombas voam livremente quando precisam colocar a cabeça no lugar. Humanos se trancam em seus quartos e choram, porque se fizerem isso na rua, seriam alvo dos olhares das pessoas. As pombas apenas seguiriam voando como se mais nada importasse. Os humanos reprimem seus sentimentos pra não magoar quem está por perto, não vão pra rua em um momento de choro desesperado, por medo do julgamento dos outros. Humanos se sentem inferiores quando não se enquadram nos padrões de beleza da sociedade. Humanos vivem de aparências. As pombas apenas voam.
Humanos não admitem erros, principalmente os próprios erros. Eles machucam. Humanos possuem uma coisa chamada auto-estima que, quando está baixa, afeta todos os segmentos da vida deles. Humanos se sentem fracassados quando cometem pequenos deslizes.
Eu sou uma humana querendo ser pomba. Sou uma humana revoltada com os olhares atravessados na rua, com os julgamentos de quem nem me conhece e revoltada com essa minha postura de querer ser competente em tudo que faço. Sou uma humana que queria conseguir se permitir errar. Que não se condenasse por não conseguir tirar nota máxima, por não conseguir perder 10 Kg em dois meses, por não conseguir dirigir com naturalidade ou por não conseguir manter o sorriso na face o tempo todo. Queria acreditar no "errar é humano". No fundo, queria mesmo é ser pomba. Ser apenas livre de mim mesma!
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Mais parado que água de poço...é assim que anda meu blog nos últimos meses. Talvez seja por falta de inspiração, ou o mergulho na dissertação, ou o tempo passado no facebook ou talvez seja apenas por se tratar de um espaço onde eu costumava expressar o que pensava e relata as coisas que se passavam no meu dia, mas o blog está a meses esperando por uma atualização. Não tem acontecido nada de novo nos meus dias... há meses a vida anda igual. Passo os dias estudando, dormindo, indo a farmácias, hospitais, consultórios médicos, passeando quando possível e esperando o tempo passar e as coisas se ajeitarem. Nada de muito agradável que justifique uma passada por aqui.
Resolvi passar porque hoje é um dia daqueles de nó na garanta sabe? Do tipo de dia que você se sente impotente diante de determinadas situações. Um dia triste. Onde você já teve discussões com pessoas que ama, já viu outro dos seus amores chorando, outro está longe e você sente vontade de viajar horas só pra poder dar um abraço em um amigo que precisa desse abraço.
O nó na garganta vem porque você sabe que vai discutir com quem ama e que precisa fazer isso as vezes, mesmo que doa. Vem do fato de você não poder enxugar a lágrima que rola no rosto de sua mãe e prometer pra ela que vai dar tudo certo, porque você não sabe o tempo que vai levar pra tudo se resolver e, enquanto isso, vai doer em todo mundo. Impotência por não poder largar tudo e ir dividir com alguem importante pra você a única coisa que esse alguem precisa nesse momento: um abraço sincero. Tão simples, tão fácil, mas tão longe agora!
segunda-feira, 19 de março de 2012
Certeza única
É como se eu precisasse entendê-la para poder aceita-la. Tenho a necessidade de conseguir compreender a sua frieza, sua escuridão, seus mistérios e suas dores para poder percebê-la como a única certeza que temos em nossas vidas.
Sempre me impressionei muito com as perdas e as lembranças tristes me acompanham desde a infância. Lembro-me do baque que foi a notícia da morte de meu bisavô em meados de 1994. Na época eu tinha apenas sete anos mas um carinho enorme por aquele senhor de cabelos branquinhos, que mal podia falar ou andar e que sempre foi muito simpático ao nos receber em sua casa, no interior do município de Pirapó. A imagem do sepultamento do corpo do “bisa” (era assim que eu o chamava) jamais saiu de minha cabeça e a partir daquele momento eu passei a temer a perda daqueles que amo.
Entretanto, esse momento chegou. Depois de muitos anos lutando contra problemas respiratórios um dos amores da minha vida partiu. A notícia chegou próximo das 23h. Lembro que eu me preparava para dormir. Eu era criança ainda e, portanto, incapaz de tomar qualquer providencia necessária naquele momento. O que eu podia fazer era ficar em casa cuidando daqueles que, naquela hora, estavam menos preparados do que eu. Ao colocar a “Nuxi” para dormir e encostar minha cabeça no travesseiro consegui “derrubar” a ficha: sim, o “nono” havia partido. Mais uma dor enorme embora eu soubesse que era o melhor para ele. Mas, nunca entendi como o meu segundo pai estava em um quarto de hospital, acordado as 18h e, pouco depois, já não estava mais entre nós. A imagem de seu corpo coberto de flores brancas com miolos amarelos jamais saiu da minha “caixinha de lembranças”.
O medo passou a fazer parte dos meus dias e, ao mesmo tempo, a dificuldade de entender o momento da “passagem” me preocupava. Lembro que certa vez, ao acompanhar a despedida da irmã de um grande amigo, vítima de um acidente de carro, a única coisa que eu conseguia pensar era no desejo de partir antes de mais um dos amores de minha vida, já que me considerava incapaz de suportar a dor que aquela família passava naquele momento. Egoísmo¿ Medo¿ Não sei. Mas era a única coisa que passava na minha cabeça durante o dia.
Mas, minha dificuldade real sempre foi em entender como uma pessoa pode estar viva e, em poucos instantes, morta. Essa falta de entendimento se intensificou em 2010. Vi minha avó passar sete dias em coma e segurei a sua mão quando a respiração começou a se tornar mais lenta, até cessar. Jamais entendi o olhar que ela apontou em minha direção poucos segundos antes do ultimo suspiro, depois de ter passado mais de uma semana sem manifestar qualquer reação a nada. Muito menos um olhar em alguma direção. Em poucos segundos acompanhei o fim de uma vida inteira. Era, e continua sendo, impossível se compreender.
Hoje, escrevo essas linhas após passar mais um dia e uma madrugada sem dormir pensando em alguma forma de superar toda a angústia que sinto ao pensar na morte. A notícia do falecimento trágico de um ex-colega e ex “par” de danças típicas alemãs me faz, mais uma vez, sentir a necessidade de entender o que é a morte. As pessoas próximas a mim sabem que convivo diariamente com o medo da partida de um dos maiores amores da minha vida. Embora eu acredite que, enquanto houver 1% de possibilidade de cura, vale a pena lutar por uma vida, eu continuo sem saber e, consequentemente, sem ser capaz de aceitar a única certeza da vida: a morte.
Sempre me impressionei muito com as perdas e as lembranças tristes me acompanham desde a infância. Lembro-me do baque que foi a notícia da morte de meu bisavô em meados de 1994. Na época eu tinha apenas sete anos mas um carinho enorme por aquele senhor de cabelos branquinhos, que mal podia falar ou andar e que sempre foi muito simpático ao nos receber em sua casa, no interior do município de Pirapó. A imagem do sepultamento do corpo do “bisa” (era assim que eu o chamava) jamais saiu de minha cabeça e a partir daquele momento eu passei a temer a perda daqueles que amo.
Entretanto, esse momento chegou. Depois de muitos anos lutando contra problemas respiratórios um dos amores da minha vida partiu. A notícia chegou próximo das 23h. Lembro que eu me preparava para dormir. Eu era criança ainda e, portanto, incapaz de tomar qualquer providencia necessária naquele momento. O que eu podia fazer era ficar em casa cuidando daqueles que, naquela hora, estavam menos preparados do que eu. Ao colocar a “Nuxi” para dormir e encostar minha cabeça no travesseiro consegui “derrubar” a ficha: sim, o “nono” havia partido. Mais uma dor enorme embora eu soubesse que era o melhor para ele. Mas, nunca entendi como o meu segundo pai estava em um quarto de hospital, acordado as 18h e, pouco depois, já não estava mais entre nós. A imagem de seu corpo coberto de flores brancas com miolos amarelos jamais saiu da minha “caixinha de lembranças”.
O medo passou a fazer parte dos meus dias e, ao mesmo tempo, a dificuldade de entender o momento da “passagem” me preocupava. Lembro que certa vez, ao acompanhar a despedida da irmã de um grande amigo, vítima de um acidente de carro, a única coisa que eu conseguia pensar era no desejo de partir antes de mais um dos amores de minha vida, já que me considerava incapaz de suportar a dor que aquela família passava naquele momento. Egoísmo¿ Medo¿ Não sei. Mas era a única coisa que passava na minha cabeça durante o dia.
Mas, minha dificuldade real sempre foi em entender como uma pessoa pode estar viva e, em poucos instantes, morta. Essa falta de entendimento se intensificou em 2010. Vi minha avó passar sete dias em coma e segurei a sua mão quando a respiração começou a se tornar mais lenta, até cessar. Jamais entendi o olhar que ela apontou em minha direção poucos segundos antes do ultimo suspiro, depois de ter passado mais de uma semana sem manifestar qualquer reação a nada. Muito menos um olhar em alguma direção. Em poucos segundos acompanhei o fim de uma vida inteira. Era, e continua sendo, impossível se compreender.
Hoje, escrevo essas linhas após passar mais um dia e uma madrugada sem dormir pensando em alguma forma de superar toda a angústia que sinto ao pensar na morte. A notícia do falecimento trágico de um ex-colega e ex “par” de danças típicas alemãs me faz, mais uma vez, sentir a necessidade de entender o que é a morte. As pessoas próximas a mim sabem que convivo diariamente com o medo da partida de um dos maiores amores da minha vida. Embora eu acredite que, enquanto houver 1% de possibilidade de cura, vale a pena lutar por uma vida, eu continuo sem saber e, consequentemente, sem ser capaz de aceitar a única certeza da vida: a morte.
terça-feira, 6 de março de 2012
Obrigada por tudo!
Pra Você Guardei O Amor
Nando Reis
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que aprendi vendo os meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz
Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris
Risca ao levitar
Vou nascer de novo
Lápis, edifício, tevere, ponte
Desenhar no seu quadril
Meus lábios beijam signos feito sinos
Trilho a infância, terço o berço
Do seu lar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir
Quem acolher o que ele tem e traz
Quem entender o que ele diz
No giz do gesto o jeito pronto
Do piscar dos cílios
Que o convite do silêncio
Exibe em cada olhar
Guardei
Sem ter porque
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei
Vendo em você
E explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Por favor!
Existem canções que expressam exatamente o que queremos dizer quando aparece aquele "nó na garganta" e nossa voz não sabe o que fazer com ele. Talvez a letra abaixo consiga dizer o que sinto nesse momento.
Notícia Boa
Nenhum de Nós
Eu queria que alguém
Me dissesse alguma coisa
Que eu ainda não sei
Que alguma coisa boa
Vai acontecer
É só esperar prá ver
Por Favor me traga
Uma notícia boa
Por Favor me traga
Uma Notícia
Mas que seja boa
Um telefonema, uma carta
Um programa de TV podem lhe trazer
O que você mais deseja
Eu sei que pode parecer besteira
Mas tem gente que espera
Uma vida inteira
Até ela chegar
Notícia Boa
Nenhum de Nós
Eu queria que alguém
Me dissesse alguma coisa
Que eu ainda não sei
Que alguma coisa boa
Vai acontecer
É só esperar prá ver
Por Favor me traga
Uma notícia boa
Por Favor me traga
Uma Notícia
Mas que seja boa
Um telefonema, uma carta
Um programa de TV podem lhe trazer
O que você mais deseja
Eu sei que pode parecer besteira
Mas tem gente que espera
Uma vida inteira
Até ela chegar
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Sufoco!
Nó na garganta, dias cinzas...
É como se nada mais fizesse sentido. A lágrima que escorre sobre a face já nem sabe mais porque cai, apenas sabe que precisa sair e molhar um rosto que não se reconhece mais. Como se essa lágrima pudesse acabar com a sensação de sufocamento que sinto. Pobre!
Sufoco, talvez seja essa a palavra que melhor consiga descrever minha vida nesse momento. Sinto-me sufocada pela falta de perspectiva, pela necessidade de me manter "forte", pela agonia de uma fila de transplante, por essa minha incapacidade de admitir que tenho limites. A falta de vida social me sufoca, a saudade dos amigos, a incerteza do amanhã, a falta de entendimento sobre a morte, o medo, a agustia, a insônia, a ansiedade, as crises de pânico, o peso de atrapalhar uma noite de sono das pessoas que mais amo, a dificuldade de aceitar as situações que a vida me coloca. Tudo me sufoca. É como se eu estivesse dormindo e acordaria amanhã com um sorriso no rosto e com a certeza de que isso tudo não passou de um pesadelo. Mas, são três da manhã e eu nem dormi ainda. Mais uma vez.
É como se nada mais fizesse sentido. A lágrima que escorre sobre a face já nem sabe mais porque cai, apenas sabe que precisa sair e molhar um rosto que não se reconhece mais. Como se essa lágrima pudesse acabar com a sensação de sufocamento que sinto. Pobre!
Sufoco, talvez seja essa a palavra que melhor consiga descrever minha vida nesse momento. Sinto-me sufocada pela falta de perspectiva, pela necessidade de me manter "forte", pela agonia de uma fila de transplante, por essa minha incapacidade de admitir que tenho limites. A falta de vida social me sufoca, a saudade dos amigos, a incerteza do amanhã, a falta de entendimento sobre a morte, o medo, a agustia, a insônia, a ansiedade, as crises de pânico, o peso de atrapalhar uma noite de sono das pessoas que mais amo, a dificuldade de aceitar as situações que a vida me coloca. Tudo me sufoca. É como se eu estivesse dormindo e acordaria amanhã com um sorriso no rosto e com a certeza de que isso tudo não passou de um pesadelo. Mas, são três da manhã e eu nem dormi ainda. Mais uma vez.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Sessão abraço!
O abraço de hoje vai para os irmãos Persch. Pro Cristiano, pq ele me cobrou esses dias no meio de uma cervejada. Segundo ele, era o unico ali que nunca tinha entrado pra "sessão". E pro Minha, por dois motivos: primeiro pq ele sempre me serve a cerveja e perdoou a divida de 10% pelo serviço (né?). E segundo pq ele me lembrou que eu tava com o ultimo texto pronto no caderno. Então guris...abraço!
Bem vinda, nova vida!
17,18,19,20,21...É aqui mesmo! O prédio antigo de paredes grossas é o local onde passarei um bom numero de horas nos proximos dois anos. Os corredores são gelados e as pessoas completamente desconhecidas. Sabe quando vc chega em algum lugar e não conhece ninguem? Vai andando e não encontra sequer um rosto conhecido? Bem assim. Nada de anormal, considerando que estou no meu primeiro dia aqui. Mais alguns passos e os primeiros "bom dia" começam a serem ouvidos. Alguns rostos ja vistos e contatados nas redes sociais começam a fazer parte efetivamente de uma nova etapa da vida.
Após os primeiros contatos, hora de ir pra sala de aula. Perae...sala sem classes? 5 alunos e 2 professores? Nem no curso de ingles a turma era tão pequena! As tradicionais apresentações, dessa vez sem bochechas vermelhas. É, talvez eu seja a mais tímida ali! Uma pilha de livros! Docencia orientada? Tópicos Especiais I e II? O que vem a ser isso? É, as coisas andaram mudando um pouco e eu vou ter que me acostumar com tudo isso.
A aula termina e eu ja fui pra primeira das duas orientações que tive/terei hoje. Docencia Orientada I, na disciplina de Jornalismo Digital I. Aos poucos fui entendendo o que isso significa. E fui me animando. Bastante.
Agora, sentada no gramado, entre as arvores e observando um gatinho preto de olhos esbugalhados, penso em todos os passos que dei até chegar aqui. Desde o vestibular que eu não passei (2006)passando pelo Cesnors, até as lágrimas que eu derramei por não ter conseguido entrar na UFBA. Lembrando da prova de seleção que, pra mim,valia 7,5, pois eu não sabia uma das questões. Acho que foi a primeira vez na vida que entreguei uma prova com uma questão em branco. A explosão de alegria que foi ver o meu nome e o meu 7,05 e, consequentemente, a aprovação pra segunda fase. O nervosismo da entrevista e, enfim, a alegria, o orgulho e o alívio pela aprovação.
Nossa! Como eu desejei tudo isso! Desde 2007 o meu foco sempre foi o mestrado e os passos que eu dei, foram sempre pensando em estar aqui, agora.
Acertei, errei,consegui. Sai da minha primeira aula completamente fascinada. Encantada. Feliz por ter subido mais um degrau na minha escadaria. Agora sim eu acredito. Bem vinda, nova vida!
Após os primeiros contatos, hora de ir pra sala de aula. Perae...sala sem classes? 5 alunos e 2 professores? Nem no curso de ingles a turma era tão pequena! As tradicionais apresentações, dessa vez sem bochechas vermelhas. É, talvez eu seja a mais tímida ali! Uma pilha de livros! Docencia orientada? Tópicos Especiais I e II? O que vem a ser isso? É, as coisas andaram mudando um pouco e eu vou ter que me acostumar com tudo isso.
A aula termina e eu ja fui pra primeira das duas orientações que tive/terei hoje. Docencia Orientada I, na disciplina de Jornalismo Digital I. Aos poucos fui entendendo o que isso significa. E fui me animando. Bastante.
Agora, sentada no gramado, entre as arvores e observando um gatinho preto de olhos esbugalhados, penso em todos os passos que dei até chegar aqui. Desde o vestibular que eu não passei (2006)passando pelo Cesnors, até as lágrimas que eu derramei por não ter conseguido entrar na UFBA. Lembrando da prova de seleção que, pra mim,valia 7,5, pois eu não sabia uma das questões. Acho que foi a primeira vez na vida que entreguei uma prova com uma questão em branco. A explosão de alegria que foi ver o meu nome e o meu 7,05 e, consequentemente, a aprovação pra segunda fase. O nervosismo da entrevista e, enfim, a alegria, o orgulho e o alívio pela aprovação.
Nossa! Como eu desejei tudo isso! Desde 2007 o meu foco sempre foi o mestrado e os passos que eu dei, foram sempre pensando em estar aqui, agora.
Acertei, errei,consegui. Sai da minha primeira aula completamente fascinada. Encantada. Feliz por ter subido mais um degrau na minha escadaria. Agora sim eu acredito. Bem vinda, nova vida!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Sessão Abraço
Abraço grande a todos vocês amigos leitores, que acompanharam aqui os meus passos de 2010. E um abraço especial aos que vão entrar em 2011 comigo daqui a pouco, em clima de muita festa. Um ótimo 2011 a todos nós.
Balanço Geral
E o grande dia chegou. Tava contando as horas pra encerrar o 2010. Foi um ano cheio de altos e baixos. Cheio de conquistas e de decepções.
Hoje andei relendo o “Feliz ano novo”, postado aqui em janeiro e percebi que cumpri quase todas as minhas metas. Eu havia feito um pedido por cada mês (e por cada uva). Tive dois bons resultados nos TCC’s, paz, amor, saúde. E vivi um final de faculdade maravilhoso. Isso sem falar na formatura, que pra mim foi quase perfeita. Comemorei mesmo.
Minha família continua com saúde e meus amigos estão conseguindo realizar os seus objetivos. Meu coração está em paz e feliz. Consegui a vaga no mestrado que eu tanto queria. E, mais uma vez, vou virar o ano com a cabeça cheia de planos e objetivos. Isso é importantíssimo.
Se eu tivesse que apontar algumas coisas ruins, citaria a doença e o tratamento de minha avó e a época que fiquei sem saber o que faria em 2011. Foram dois períodos bastante difíceis.
Lembro que há um ano, desejei que 2010 fosse melhor do que 2009. E não foi. Foi um ano bastante difícil e, por isso, toda essa pressa em ver o calendário perder a sua ultima pagina. Mas, não deixo de acreditar que 2011 sera muito melhor do que 2010. E tem potencial pra ser. Os pedidos das uvas, serão os mesmos do ano passado. Paz, amor, saúde, trabalho, enfim...tudo isso que sempre se pede. Mas, a cada uva uma certeza de que 2011 será um ano incrível. Então, seja bem-vindo ano novo!
Hoje andei relendo o “Feliz ano novo”, postado aqui em janeiro e percebi que cumpri quase todas as minhas metas. Eu havia feito um pedido por cada mês (e por cada uva). Tive dois bons resultados nos TCC’s, paz, amor, saúde. E vivi um final de faculdade maravilhoso. Isso sem falar na formatura, que pra mim foi quase perfeita. Comemorei mesmo.
Minha família continua com saúde e meus amigos estão conseguindo realizar os seus objetivos. Meu coração está em paz e feliz. Consegui a vaga no mestrado que eu tanto queria. E, mais uma vez, vou virar o ano com a cabeça cheia de planos e objetivos. Isso é importantíssimo.
Se eu tivesse que apontar algumas coisas ruins, citaria a doença e o tratamento de minha avó e a época que fiquei sem saber o que faria em 2011. Foram dois períodos bastante difíceis.
Lembro que há um ano, desejei que 2010 fosse melhor do que 2009. E não foi. Foi um ano bastante difícil e, por isso, toda essa pressa em ver o calendário perder a sua ultima pagina. Mas, não deixo de acreditar que 2011 sera muito melhor do que 2010. E tem potencial pra ser. Os pedidos das uvas, serão os mesmos do ano passado. Paz, amor, saúde, trabalho, enfim...tudo isso que sempre se pede. Mas, a cada uva uma certeza de que 2011 será um ano incrível. Então, seja bem-vindo ano novo!
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Sessão Abraço!
É, hoje não tem como ser diferente. O abraço vai pra nação colorada. Abraço pra melhor torcida do Rio Grande e do Mundo. E, vamos acreditar caros leitores. Acreditar sempre.
Por um mundo mais vermelho!

Lembro com certa saudade dos domingos da minha infância. Da época que eu chegava na casa de meus avós e encontrava o vovô vidrado em um aparelho que transmitia sons de uns caras falando sem parar. Era fulano que tocava pra sicrano, que passava pelo marcador, chutava e Goooooool! E o sorriso de meu avô se estampava em seu rosto ja cansado e marcado pelo tempo. Eu nunca tinha muito tempo pra sentar e ouvir os jogos. Sempre achava mais interessante brincar na terra ou tomar banho de "tacho". Lembro também que algumas vezes quando chegavamos lá, vô tinha deslocado o sofá até a metade da sala, pro desespero de Dona Erna, já que o sofá sempre dava um jeito de riscar o chão de tábuas pintado com cera vermelha.
Não importava se era ouvindo o rádio da caixa de madeira que ficava no canto da sala, ou se era vendo a TV com chuviscos, mas quando o colorado fazia um gol, os olhos de meu avô ganhavam um brilho inexplicável. E assim fui aprendendo a arte de ser colorada. Sim, a arte. Ser colorado não é só ser torcedor. É ter um dom. É se doar.
Nunca fui daquelas torcedoras que choram ao ver uma derrota ou que ficam muito nervosas. Mas sempre fui uma daquelas que realmente acredita que seu time é o melhor do mundo, por uma série de fatores. Sempre fui daquelas que acreditam até os 45 minutos do segundo tempo e, se tiver acrescimos, acredito até o apito final. E mais uma vez estou acreditando.
Tenho o maior orgulho de ter visto o meu time erguer a taça de CAMPEÃO DO MUNDO em 2006. Tenho o dia 17 de dezembro daquele ano, como inesquecível. Não existe forma de explicar o que se sente! Pra turbinar o meu orgulho, vi meu time se classificar em 2010 de novo e, amanhã, vou torcer e acreditar de novo. Meu avô não viu uma das suas maiores paixões no topo do mundo mas ele sempre acreditou que isso ainda iria acontecer.
Então, convoco você meu caro leitor colorado a acreditar comigo. Acreditar num mundo ainda mais vermelho. Dizem que pensamento positivo é determinante. Se depender de mim e da confiança que tenho no meu time o mundo será vermelho e branco mais uma vez. Então, acredite, torça, grite, emocione-se, palpite, escale a sua seleção. E acredite de novo. Com todas as suas forças, acredite. Por um mundo mais vermelho, confie no nosso colorado! Que me perdoem os meus amigos e leitores tricolores mas já dizia Neto Fagundes: "...quem conhece o Colorado, sabe o que é ter coração...".
sábado, 27 de novembro de 2010
Sessão abraço
A abraço de hoje vai para pessoas que nem conheço e que possivelmente jamais leiam esse post. Mas,de toda forma, estendo meu abraço aos cariocas inocentes que acompanham amedrontados os combates. Que todas eles tenham coragem suficiente para enfrentar o momento que passam. Tem coisas que nos assustam, nos fazem tremer, mas são necessária. Pra mim, a invasão dos morros é uma delas.
47 do segundo tempo
O jogo começou há quatro anos. No apito inicial, eu mal sabia ao certo em que time iria jogar. Mas, o tempo me diria isso. Já no início de 2007 as coisas começaram de ficar mais claras. Vieram as monitorias e os primeiros contatos com a pesquisa cientifica. Junto com elas, veio aquele que iria se tornar o meu “xodó” no mundo acadêmico: o rádio. Ai sim as lamparinas se acenderam de vez. Eu queria pesquisar radiojornalismo. Queria entender a sua história, suas mudanças e as possibilidades que as tecnologias já ofereceram e ainda viriam a oferecer ao meu “mocinho”. E assim se fez. O primeiro tempo terminou em agosto de 2010. Jogo empatado.
Depois da formatura muita coisa já aconteceu na minha vida. Voltei pra Campina, comecei uma nova faculdade e estudei. Estudei muito. Afinal, as seleções do mestrado estavam por vir, e pra mim, mestrado sempre foi um sonho. Os projetos e as leituras tiraram boa parte do meu sossego. Ao lado de uma suspeita de doença crônica, a preparação para as seleções causaram as olheiras facilmente visíveis na minha face. Fiz duas seleções. Na primeira, não tive o projeto selecionado e fui descartada já no inicio do processo. Na segunda, fiz uma prova, e fui mal. Alias, eu achava que tinha ido muito mal. A nota mínima era 7,0 e eu realmente sai da sala achando que não atingiria a média. Isso significava que meu sonho teria que ser adiado. Fui pro chão. Fiquei muito triste, sem perspectiva. Comecei uma busca por emprego, em qualquer canto do mundo, desde que pagasse as minhas contas. Pra mim, o jogo estava encerrado.
Quando o assunto é futebol, especialmente o “colorado”, sempre fui de acreditar até o apito final. Enquanto o juiz não pedia a bola, pra mim, ainda havia chances de virar o placar. Mas não consegui aplicar isso a situação do mestrado. Lamentei, chorei e adiei o sonho antes mesmo da divulgação da lista dos aprovados na primeira fase. Mas, pra minha surpresa, e pra surpresa de todas as pessoas que me rodeiam e que estavam torcendo por mim, a lista foi divulgada e o meu nome estava lá. Minha nota? 7,05. A pior nota na lista dos 23 sonhadores como eu. Mas, está lá. Fui escalada pra bater os pênaltis. O próximo passo será a entrevista, já marcada para a próxima sexta-feira, às 10h da manhã. O árbitro vai pedir a bola e encerrar o jogo no dia 07 de janeiro. Até lá, ficarei na expectativa. Mas, se ao final do jogo veio o empate, acho que posso acreditar que consigo converter o pênalti. E vocês, caros leitores, continuem na torcida. Depois vocês me ajudam a passar de fase e, daqui a algum tempo, a erguer a taça. Mas essa...só daqui a vários anos.
Depois da formatura muita coisa já aconteceu na minha vida. Voltei pra Campina, comecei uma nova faculdade e estudei. Estudei muito. Afinal, as seleções do mestrado estavam por vir, e pra mim, mestrado sempre foi um sonho. Os projetos e as leituras tiraram boa parte do meu sossego. Ao lado de uma suspeita de doença crônica, a preparação para as seleções causaram as olheiras facilmente visíveis na minha face. Fiz duas seleções. Na primeira, não tive o projeto selecionado e fui descartada já no inicio do processo. Na segunda, fiz uma prova, e fui mal. Alias, eu achava que tinha ido muito mal. A nota mínima era 7,0 e eu realmente sai da sala achando que não atingiria a média. Isso significava que meu sonho teria que ser adiado. Fui pro chão. Fiquei muito triste, sem perspectiva. Comecei uma busca por emprego, em qualquer canto do mundo, desde que pagasse as minhas contas. Pra mim, o jogo estava encerrado.
Quando o assunto é futebol, especialmente o “colorado”, sempre fui de acreditar até o apito final. Enquanto o juiz não pedia a bola, pra mim, ainda havia chances de virar o placar. Mas não consegui aplicar isso a situação do mestrado. Lamentei, chorei e adiei o sonho antes mesmo da divulgação da lista dos aprovados na primeira fase. Mas, pra minha surpresa, e pra surpresa de todas as pessoas que me rodeiam e que estavam torcendo por mim, a lista foi divulgada e o meu nome estava lá. Minha nota? 7,05. A pior nota na lista dos 23 sonhadores como eu. Mas, está lá. Fui escalada pra bater os pênaltis. O próximo passo será a entrevista, já marcada para a próxima sexta-feira, às 10h da manhã. O árbitro vai pedir a bola e encerrar o jogo no dia 07 de janeiro. Até lá, ficarei na expectativa. Mas, se ao final do jogo veio o empate, acho que posso acreditar que consigo converter o pênalti. E vocês, caros leitores, continuem na torcida. Depois vocês me ajudam a passar de fase e, daqui a algum tempo, a erguer a taça. Mas essa...só daqui a vários anos.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Sessão abraço!
Um abraço especial pra Sana. To com muita saudade dela e é só isso que tenho a dizer. Amo demais.
...de hoje não vai passar...
22 de novembro. Era pra eu estar bem longe daqui hoje. Era pra estar tentando um sonho, mas que foi adiado. Era pra eu estar pulando de felicidade na Orla de Salvador. Mas, estou em Campina, deitada na minha cama, jogando conversa fora com Rafael. Alias, rindo muito. Bela mudança! Ontem a essa hora eu chorava, exatamente por ter que adiar meu sonho. Mas, a vida da voltas e comigo isso acontece muito depressa. Sou um ser completamente instável. Tão instável que hoje pareço outra pessoa. Pareço aquela Roscéli que tinha sumido há umas 3 semanas e me deixado com saudade. Ao que tudo indica, ela voltou.
Não sei explicar exatamente o motivo dessa virada de animo. Mas, hoje voltei a ler todos os meus depoimentos do orkut e, por incrivel que pareça, eles foram essenciais. Depois lembrei do dia que comprei um anel na rua, de uma criança. Foi no dia que eu estava indo a Natal. Lembro do olhar triste daquela criança e da sua incrivel habilidade, ao me dizer que tal anel combinava com a minha blusa. Por esses dois motivos, vi que não tenho direito nenhum de reclamar. Primeiro, pq não passo fome, tenho um teto, tenho tudo o que preciso. Depois, tenho pessoas maravilhosas que me rodeiam a cada dia.
As coisas nem sempre são como planejamos. A vida nos derruba e, vez ou outra, temos que realmente colocar os lenços pra secar. Hoje cedo, resolvi que o eu ia secar de uma vez. A tardinha ja pude recolhe-lo do varal, dobrar e coloca-lo no fundo do armario. Ao abrir o armário, encontrei vários deles guardados, bem no fundo. Costumo guarda-los bem longe do meu alcance. Cada decepção, ou cada dor, pego um lenço novo. Quando ele vai pro armário, é pra não sair mais, é pra não chorar mais o mesmo problema. E tem funcionado. Enfim, ja chorei muitos lenços, mas ja guardei todos eles e não os costumo usá-los novamente. Ta bom, as vezes acontece. Mas é muito raro.
Bom, depois de guardar, vi que era hora de recomeçar. Dizem que pensamentos positivo, alto astral e otimismo atraem coisas boas, e eu acredito. Como eu poderia atrair algo de bom do jeito que estava nos ultimos dias? Reclamando de tudo e de todos, me sentindo a pessoa mais azarada do planeta? Sem condições. Foi ai que vi que de hoje não poderia passar. E realmente não passou. Foi o dia da virada.
E agora sim, tenho certeza que vai dar tudo certo. Só preciso um pouco de paciencia. Já tenho meus pilares: uma familia que me apóia, amigos que estão sempre por perto e um namorado que me da coragem pra enfrentar tudo que possa surgir daqui pra frente. O que mais eu preciso? Só um pouco de paciencia afinal...nas voltas da vida a gente acha o que procura...
Não sei explicar exatamente o motivo dessa virada de animo. Mas, hoje voltei a ler todos os meus depoimentos do orkut e, por incrivel que pareça, eles foram essenciais. Depois lembrei do dia que comprei um anel na rua, de uma criança. Foi no dia que eu estava indo a Natal. Lembro do olhar triste daquela criança e da sua incrivel habilidade, ao me dizer que tal anel combinava com a minha blusa. Por esses dois motivos, vi que não tenho direito nenhum de reclamar. Primeiro, pq não passo fome, tenho um teto, tenho tudo o que preciso. Depois, tenho pessoas maravilhosas que me rodeiam a cada dia.
As coisas nem sempre são como planejamos. A vida nos derruba e, vez ou outra, temos que realmente colocar os lenços pra secar. Hoje cedo, resolvi que o eu ia secar de uma vez. A tardinha ja pude recolhe-lo do varal, dobrar e coloca-lo no fundo do armario. Ao abrir o armário, encontrei vários deles guardados, bem no fundo. Costumo guarda-los bem longe do meu alcance. Cada decepção, ou cada dor, pego um lenço novo. Quando ele vai pro armário, é pra não sair mais, é pra não chorar mais o mesmo problema. E tem funcionado. Enfim, ja chorei muitos lenços, mas ja guardei todos eles e não os costumo usá-los novamente. Ta bom, as vezes acontece. Mas é muito raro.
Bom, depois de guardar, vi que era hora de recomeçar. Dizem que pensamentos positivo, alto astral e otimismo atraem coisas boas, e eu acredito. Como eu poderia atrair algo de bom do jeito que estava nos ultimos dias? Reclamando de tudo e de todos, me sentindo a pessoa mais azarada do planeta? Sem condições. Foi ai que vi que de hoje não poderia passar. E realmente não passou. Foi o dia da virada.
E agora sim, tenho certeza que vai dar tudo certo. Só preciso um pouco de paciencia. Já tenho meus pilares: uma familia que me apóia, amigos que estão sempre por perto e um namorado que me da coragem pra enfrentar tudo que possa surgir daqui pra frente. O que mais eu preciso? Só um pouco de paciencia afinal...nas voltas da vida a gente acha o que procura...
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Sessão abraço
O abraço dessa vez vai pra todas as pessoas que se fizeram presentes quando "o meu barco afundou". Em especial: pra minha familia que segurou as pontas quando tudo parecia estar perdido e que aguentou e tem aguentado o meu mau-humor; pro meu namorado que me mostrou que existem muitas outras possibilidades, que tem aguentado tb o meu mau-humor e minhas reclamações constantes e que está me ajudando a pensar no futuro; e pra Dani Polla,uma das minhas amigas/irmãs frederiquenses que me escreveu, em poucas palavras, tudo o que eu precisava ler ou ouvir quando tudo deu "errado".
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